As convicções necessárias para a salvação e participação no Corpo de Cristo
1) A existência de um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, Um em
essência e Trino em pessoa.
(Gn 1.1,2; Ex 20.1-6; Dt 6.4,5; Mt 28.19; Jo 1.1-14; 4.9-17; Rm
8.9-11; 2 Co 13.13; Cl 1.15; 2.9; Hb 1.1-3)
2) A soberania de Deus na Criação, Revelação, Redenção e Juízo
Final.
(Gn 2.4; Dt 6.6-9; Sl 8.3-6; Is 40.13,14,25,26; Ef 2.8-10; 2 Co 5.10;
Ap 20.11-15)
3) A inspiração divina, veracidade e integridade da Bíblia, a
Palavra de Deus, tal como revelada originalmente, e sua suprema
autoridade em matéria de fé e conduta.
(Js 1.7,8; Dt 6.4-9; Sl 19.7-11; 119.1-11; 2 Tm 3.14 - 4.5)
4) A pecaminosidade universal e a culpabilidade de todos os homens,
desde a queda de Adão, pondo-nos sob a ira e condenação de Deus.
(Gn 3.17; Is 59.1,2; Jr 17.5-10; Rm 3.10-23; 5.12; Ef 2.1-3; Ap
20.11-15)
5) A redenção da culpa, pena, domínio e corrupção do pecado,
somente por meio da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo, o Filho
encarnado de Deus, nosso representante e substituto.
(Is 53.1-12; Jo 1.12; 3.15-18; Rm 3.21-26; 5.1-11; 8.1; Ef 2.1-10; 1
Tm 2.5)
6) A justificação do pecador somente pela graça de Deus, por meio
da fé em Jesus Cristo.
(Rm 5.1-11; Ef 2.1-10)
7) A intercessão de Jesus Cristo, como único mediador entre Deus e
os homens.
(1 Tm 2.5; Hb 1.3; 2.17,18; 4.14-16; 5.5-10; 7.20-28)
8) A ressurreição corporal do Senhor Jesus Cristo e sua ascensão à
direita do Pai.
(At 1.6-11; Rm 6.1-9; 8.11; 1 Co 15.1-4, 16-19; Ap 1.17,18; 5.1-14)
9) A certeza da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo em corpo
glorificado e a consumação do Seu reino naquela manifestação.
(Jo 14.18; At 1.11; 1 Co 15.20-28; 1 Ts 4.13-18; Ap 20.11 - 21.8)
10) A ressurreição dos mortos, a vida eterna dos salvos e a
condenação eterna dos que rejeitaram a Jesus Cristo.
(1 Co 15.20-28; 1 Ts 4.13-18; Ap 20.11 - 21.8)
11) A missão pessoal do Espírito Santo no arrependimento, na
regeneração e na santificação dos cristãos.
(Jo 3.3-8; 16.7-15; Rm 8.1-17,23,26; 1 Co 3.16; 6.19)
12) A obra do Espírito Santo em capacitar com poder e dons
espirituais aos cristãos, para o testemunho, serviço e crescimento da
Igreja, visando o cumprimento de sua missão no mundo.
(At 1.8; 1 Co 12.1-4,13; Gl 5.16-26; Ef 4.4,7)
13) A única Igreja, Santa e Universal, que é o Corpo de Cristo, à
qual todos os cristãos verdadeiros pertencem e que na terra se
manifesta em comunidades - igrejas - locais.
(Mt 16.18; Rm 12.3-5; Ef 1.3-23; 2.19-22; 3.8-12; 5.25-32; Fm 2)
As convicções adicionais às acima descritas necessárias para a participação em nossa igreja local
14) A importância fundamental das igrejas locais, onde são
vivenciados os princípios do Corpo de Cristo e da Palavra de Deus,
para o exercício dos dons e ministérios, para a comunhão e para o
cumprimento de sua missão em todas as culturas e nações.
(Rm 12.3-5; Ef 4.11-16; Cl 3.12-17; 1 Pe 5.1-4,9)
15) A bênção do ministério colegiado na liderança da igreja local,
que permite uma complementação saudável para o Corpo de Cristo, onde
se encontra equilíbrio, unidade, sabedoria e conselho mútuo.
(At 14.23; 20.28; Ef 4.11; 2 Tm 2.2; Tt 1.5; 1 Pe 5.1-4)
16) O batismo dos que confessam a Jesus Cristo como Senhor e
Salvador, em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, em obediência ao
Evangelho.
(Mt 28.19; At 2.38; 10.48; 19.4,5; Rm 6.1-5; Cl 2.12)
17) A igreja como comunidade de adoração e serviço, onde o amor a
Deus e ao próximo deve ser a maior característica, por ser o dom
supremo e eterno, evidência de avivamento e de presença do Espírito
Santo.
(Jo 13.35; 17.21; At 2.42-47; 4.32-35; Rm 12.1-21; 1 Co 12 - 14; 1 Jo
4.7-21)
18) A proclamação de toda a Palavra de Deus, Seu Senhorio, Seu Amor
e Justiça, para o ser humano como um todo e para todos os seres
humanos, visando a prática de vida, individual e coletiva, coerente
com os valores desta Palavra.
(Dt 6.6-9; Is 55.10,11; Mt 28.18-20; Lc 4.16-21; Jo 20.21; 2 Tm
3.14-17; Tg 1.19-27; 2.14-26)
19) O privilégio e a responsabilidade dos discípulos em sustentar a
obra local e missionária, como canais do amor e da visão de Deus para
a manifestação e expansão do Seu Reino.
(At 4.32-37; 1 Co 10.7-14; 2 Co 8.1-5; 9.6-15; Fp 4.10-20; 1 Tm
5.17,18)
Não queremos dizer, ao chamar este aspecto que vamos analisar como peculiar, que nossas convicções sejam exclusividade de nossa igreja. Mas temos tranquilidade em dizer que Deus nos tem dado ousadia, com responsabilidade e temor, em questões que têm causado muitas dúvidas e frustrações na história da igreja em geral. Uma delas é o ministério da mulher, especialmente no que diz respeito ao ensino e liderança. Parece claro a todos que Deus tem utilizado mulheres, assim como homens, em toda a história, tais como Débora, Ester, Loide, Eunice, Safira, entre outras. Sabemos também que não há distinção de sexo para a distribuição de dons e diante do Senhor Jesus (1 Co 12.4-11; Gl 3.28).
No entanto, alguns que se deparam com textos mais difíceis de interpretar, como 1 Tm 2.11-15, 1 Co 11.2-12 e 14.33-36, não conseguindo conciliá-los com as verdades já mencionadas acima, optam por usar suas “lentes culturais”, sua maneira particular de entender os fatos da vida, às vezes uma grande soma de “pré-conceitos” cristalizados, anulando assim a oportunidade de pessoas desenvolverem seus dons e capacitações. Porém, se examinarmos direito, e com isenção, veremos nestes mesmos textos os princípios que libertam as mulheres para o exercício de seus dons, ou “as salvam” (1 Tm 2.15). Não se trata de abandonar convicções bíblicas, rendendo-se perante a simples constatação básica de que há mais mulheres dispostas ao trabalho do que homens, mas sim de uma busca da resposta bíblica a estas questões, sem conformar-se com as aparentes contradições entre os textos da Escritura.
As interpretações do texto de 1 Tm 2, por exemplo, em geral, focalizam a proibição no v. 12 e as razões dela nos vs. 13-14, ignorando o v.15. "Preservada" ou "salva" (sõzõ, no grego) tem o sentido de cura ou libertação (Mc 5.34).
Do que será salva? Não podemos imaginar que Paulo contrariasse seu ensino sobre a salvação pela graça mediante a fé e não pelas obras, dizendo que a mulher seria salva tendo filhos. Alguns consideram que a frase significa uma referência ao nascimento de Cristo, mas isso poderia dar lugar a uma interpretação de que a encarnação por si mesma realiza a salvação eterna. Como então podemos interpretar essa passagem?
Para entendê-la melhor precisamos buscar informações do contexto histórico e literário. Estavam acontecendo em Éfeso, onde trabalhava Timóteo, problemas com ensinos heréticos (1.3-7; 6.20). O uso da palavra "saber" (gnosis, no grego) sugere ensinos gnósticos. Entre esses hereges é provável que houvessem mulheres (4.7), e escritos antigos mostram que as mulheres desempenhavam todos os cargos nas igrejas de grupos cristãos gnósticos.
Paulo está tratando desse problema. O fato de ele abrir a possibilidade de a mulher aprender já era um avanço em relação ao judaísmo. "Não permito" (epitrepo, no grego) pode ser traduzido como "não estou permitindo", denotando natureza temporária da orientação e não contradizendo outros textos que autorizam a atuação feminina, como 1 Co 11.5.
Esta "salvação" que é citada a seguir (v.15), portanto, uma vez que não se refere à salvação do pecado e da morte, parece estar ligado à discussão imediatamente anterior, ou seja, a mulher será "curada" ou "salva" das restrições às quais estava sujeita. Este conceito de salvação é coerente com a referência de 1 Co 11.11,12. Assim como o homem deu origem à mulher, a mulher dá origem ao homem. A ordem da criação é compensada pela ordem natural. E a promessa de Deus em Gn 3.15 confirma isso. E nesse sentido é possível interpretarmos esta passagem como sendo referente também ao nascimento de Cristo.
Além destas considerações, a mudança do singular para o plural na segunda metade do v.15 mostra um outro aspecto que devemos observar. Sendo a condição "subordinada" da mulher em geral anulada pela maternidade, o mesmo não acontece com a falta de condições específicas ou preparo de cada mulher. Elas devem apresentar condições ou qualidades que as habilitem a servirem de exemplo (conforme Tt 2.3,4). Aliás, os homens também deveriam ser silenciados quando não tivessem as mesmas condições (Tt 1.10,11).
A mulher deve, então, apresentar as características bíblicas de
maturidade para ocupar cargos de liderança, seja ensino ou serviço.
John Stott diz, quanto ao ensino praticado pela mulher, que o conteúdo
deve ser bíblico, o contexto o de uma equipe, e o estilo humilde
(p.52). Como deve ser o de qualquer pessoa.
Outra peculiaridade do nosso "jeito de ser" e de entender a igreja, é a visão sobre o BATISMO.
Cremos que o batismo é fundamental, é uma ordenança do Senhor Jesus para os seus discípulos (Mt 28.19). O batismo deve ser a expressão da fé do discípulo, e por isso não cremos no batismo de recém-nascidos, que não podem expressar sua fé (Mc 16.16).
Cremos que o batismo, em si, não salva ou santifica, mas é a expressão exterior, a manifestação pública daquilo que ocorre em nossas vidas, quando confessamos a Jesus como Senhor, e cremos em Sua ressurreição (Rm 10.9). Quando cremos, somos batizados por Jesus Cristo, em Seu Corpo, por meio ou no Espírito Santo (Jo 1.32-34; 1 Co 12.13). Quando cremos, somos selados com o Espírito Santo (Ef 1.13).
Sabemos que muitos cristãos concordam com essas afirmações, mas discordam entre si quanto à forma do batismo, especialmente entre os defensores da imersão (mergulhar todo o corpo em água) e os da aspersão (derramar água sobre a cabeça). A maioria dos irmãos, quando confrontados com a afirmação de que são mais importantes as coisas que nos unem do que as que nos separam, concorda, mas sempre resta uma sombra por trás dessa questão.
Cremos que há textos bíblicos muito interessantes, que os comentaristas e estudiosos relacionam ao batismo, e que inspiram tanto a forma da aspersão como a da imersão. Quanto à aspersão, por exemplo, veja Ez 36.24-26, 1 Co 10.1-4 e Tito 3.3-6. A idéia desses textos é de aspersão, de lavagem, de um passar por baixo da nuvem, de um derramar purificador do Espírito de Deus. São lindas figuras de uma renovação de vida, com Deus.
E quanto à imersão, vemos claramente em Rm 6.1-7, Col 2.12 e Hb 10.19-23 a idéia da nossa morte e ressurreição com Cristo, do lavar o corpo, no batismo.
Não é estranho que encontremos essas figuras diferentes relacionadas ao batismo, porque o próprio Deus, na Sua Palavra, e o Senhor Jesus, durante Seu ministério, não se utilizaram de uma única forma de expressão, ou figura de linguagem, para se referirem à vida nova com Ele. Nascer de novo, tomar da água viva, comer o pão da vida, enxergar a luz, entre outras, são expressões encontradas não ao mesmo tempo, mas em ocasiões diferentes, para pessoas diferentes, com problemas diferentes, em contextos de vida diferentes.
Portanto, cremos na validade dessas duas formas de batismo, e cremos que o batizando deve decidir qual forma é a mais significativa para ele, dentro desse panorama fornecido pelas Escrituras.