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Tributo a Jorge Rehder

NOS DESPEDIMOS DO JORGE REHDER

“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.35-39).

Irmãos, nosso querido Rehder partiu para estar com Cristo. Consagramos ao nosso Eterno e Bondoso Deus todo o Louvor por sua vida, que nos inspirou e continua a inspirar a perseverar no Caminho.

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42.2).

N'Aquele que tudo pode e que nos Ama incondicionalmente,

Rude.

Veja manifestações de homenagens em outros sites e outros textos:

www.jorgerehder.com.br
http://doxabrasil.blogspot.com
http://verticontes.blogspot.com
http://www.cristianismocriativo.com.br
http://www.nelsonbomilcar.com.br
http://www.gospelmusiccafe.com.br
http://www.ultimato.com.br

Videos e fotos:

Fotos do lançamento do CD Porto Esperança
http://www.youtube.com/watch?v=ssCfil2EFg0
http://www.youtube.com/watch?v=MUKi7irB3-k&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=2FUw3AmKpUk&feature=related


Jorge Moreira Rehder (1956-2009)

Não lembro onde ouvi/li isso, mas concordei e assinei embaixo: os santos são sempre os únicos que não sabem dessa condição deles. E não adianta dizer isso para eles. São também os que negam esse título, sem falsa modéstia e, pelo contrário, achando-se piores ainda quando alguém os diz isso. Assim era Jorge Rehder. Nunca gostei [e continuo não gostando] de dizer isso sobre as pessoas. Acredito que para chamar alguém de santo deve-se, no mínimo, ter conhecimento de como é que um santo deve agir. Eu sei a teoria, como muitos. A prática vi na vida do Rehder.

Não, os santos não são perfeitos. O Rehder também não o era. Havia tantas falhas nele como em qualquer outro ser humano. Então como pode alguém ter as mesmas falhas que os outros e, ainda assim, ser um santo? Não sei. Se soubesse, um santo também seria. Vou perguntar a ele, quando encontrá-lo na Glória.

Difícil acreditar que estou falando sobre a morte de meu sogro. Apesar de ter feito uma música para Barnabé, nunca tinha reparado o quanto Rehder se parece, na verdade, com Paulo. “(...) que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”. Rehder se achava também o principal. Porém, nunca escondeu quem era. Nunca deixou de dizer o que pensava ou deixou de fazer algo em que acreditava, por mais contraditório que fosse. Na verdade, minto. Ele deixava de dizer algumas coisas sim e deixava de fazer valer sua vontade: quando percebia que aquilo faria mal a alguém. Mais uma vez, é uma medida muito delicada, do quando e como falar, mas talvez seja isso que tenha feito dele um santo. Ele sabia a hora certa.

“Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. O apóstolo Paulo disse isso, mas Rehder não. Poderia... se quisesse. Mas lembra sobre o que falei dos santos serem os únicos a não saberem [e negarem] essa condição? Então. Mas isso não tira o fato de ser uma verdade. Que quem quer que olhe para a vida do Rehder e tente imitá-lo, com certeza, estará tentando imitar a Cristo.

Claro que a notoriedade dele no país é devido à influência que suas músicas causaram nas pessoas. Sempre disse isso a ele: “Desde criança sou fã das suas músicas, agora sou seu fã”. Outra coisa que não cansei de dizer é que a humildade dele era na mesma proporção que suas músicas eram conhecidas. Quanto mais músicas conhecidas, quanto mais pessoas alcançadas, maior a humildade do Rehder.

Não gosto de ficar dizendo o quão próximo era dele e tudo mais. Mas não dá para negar a honra que era tê-lo como sogro, praticamente um segundo pai. Acima da alegria de vê-lo chegar a mim e mostrar uma música nova, perguntando o que achava e pedindo sugestão, o que fica é o homem do dia a dia. O modo como tratava o ser humano e o quanto não mediu esforços para trazer para perto de Deus pessoas desacreditadas e desiludidas. O quanto se arriscou em fazer o que era certo ao invés do que era esperado, fosse esperado pela igreja, pela família ou pelos amigos.

Não há exagero em dizer que meu coração se alegra por ter vivido quase 10 anos com meu sogro e que, para sempre, poderei olhar para ele e tentar ser um homem um pouco melhor. Nos detalhes, nas pequenas coisas, sem me preocupar com reconhecimento e fama, mas tendo como objetivo resgatar o ser humano à sua posição de filho amado de Deus.

Guardarei com carinho o último momento em que o vi e pude beijá-lo nas mãos, querendo, no fundo, derramar bálsamo em sua cabeça e lavar seus pés com minhas lágrimas, como um filho com o seu pai, ou como alguém que reconhece um santo na sua frente. Como disse Jorge Camargo, no dia do velório, “o mundo ficou um pouco menos bonito, um pouco menos amoroso, um pouco menos compassivo”. Sim, o mundo ficou um lugar um pouco mais difícil para se viver. Por isso mesmo, a vida do Rehder me instiga a transformá-lo em um lugar um pouco melhor para se viver. Que esse sentimento possa inundar a vida de todos os que o conheceram e ouviram falar dele. Dos que gostam de suas músicas e o admiravam. Dos que andaram com ele e foram seus irmãos, sua família. E que tenhamos corações quebrantados, para que o Espírito Santo guie nossas vidas, como fez com a do Rehder.

Saudades e tristeza,

Gabriel Louback


Ah, se eu fosse profeta...

Estava ouvindo a última mensagem gravada do Rehder em sua igreja, Projeto Raízes, do dia 31/maio/2009, e decidi escrever algumas palavras à minha igreja local, falando, ainda que resumidamente, sobre este irmão. Algumas vezes fico desanimado em escrever, falar, ensinar, pois me parece que já não temos mais tempo para o ensino, a reflexão, mas resolvo fazê-lo, ainda que você seja o meu único leitor... E decido fazê-lo em honra a Deus e agradecimento pela vida do Rehder.

Rehder nasceu em 1956 e faleceu na manhã deste último domingo,  tendo ao seu lado, até os seus últimos momentos, sua amada esposa, Marilda. Enquanto ela aguardava as últimas tentativas para reanimar seu marido, chegaram suas filhas, Marina e Carolina, esta com o seu esposo, Gabriel. Juntos receberam e choraram a notícia do falecimento deste querido, amado, íntegro e fiel irmão.

Quem foi Jorge Moreira Rehder? Além de compositor evangélico por 35 anos, com mais de 130 músicas cantadas pelas igrejas evangélicas – tais como “Digno é o Cordeiro”, “Barnabé, homem de Deus”, “Da multidão dos que creram”, “Rei das nações” e “Em todo o tempo” – era dentista por profissão e pastor de coração. Tinha sempre um sorriso, um abraço, uma palavra de estímulo e amor para todos aqueles que estavam ao seu lado; muitas vezes um pastor de pastores, estes tão solitários, tão humanos, tão fracos e, ao mesmo tempo, tão escravos das expectativas de suas igrejas ou missões.

Sua luta começou em 2008, conforme suas próprias palavras em sua última mensagem, dois meses antes do casamento da Carol e do Gabriel. Comentou com algumas pessoas sobre suas dificuldades com a saúde, ainda sem saber o que seria realmente, mas optou pela cirurgia após o casamento, ocorrido em 12/07/2008. Os dias e meses seguintes foram certamente difíceis, pois a cirurgia indicou células cancerígenas na região do estômago, sendo necessárias sessões e mais sessões de quimioterapia e radioterapia, acompanhadas de todos os efeitos colaterais que já ouvimos ou presenciamos.

Ao ouvir sobre a sua doença e seus temores, ainda em 2008, disse a ele que não acreditava ser uma doença para morte e que certamente ele seria restaurado... Ah, quem me dera ser profeta..., pois apesar das minhas palavras, apesar da intercessão e fé de tantos irmãos, apesar de pedir a sua cura como único presente em meu aniversário, Jesus decidiu levá-lo para junto de si.

Rehder enfrentou nos meses seguintes, com a ajuda de Deus, da igreja, amigos, suas duas filhas, esposa [esta de uma forma especial e extraordinária] o difícil tratamento, para no final, com alegria, receber a notícia positiva de que estava curado.

Em dezembro de 2008, ainda durante o tratamento, lançou seu único CD autoral em 35 anos de composição; casou sua segunda filha em junho 2009, mas em julho último sentiu e percebeu que sua saúde não estava boa. Após uma cirurgia de vesícula e algumas complicações adicionais, recebeu a notícia em outubro do reaparecimento do câncer, e com este novas sessões de quimioterapia.

 Acredito que esta notícia tenha sido avassaladora em sua vida, como o seria para qualquer um de nós, pois já não podia se alimentar normalmente, e debilitado, enfrentar uma nova batalha que despontava...

Permaneceu firme no Senhor, mas optou pelo silêncio e pela reclusão, com o suporte diário, amoroso e respeitoso de Marilda. Seus últimos momentos no hospital foram de súplica pela misericórdia de Deus em sustentá-lo, acompanhado pelas orações e dor de sua esposa.

Choramos a nossa dor, choramos a nossa solidão, choramos a nossa perda, choramos o nosso abandono... Choramos porque queríamos e precisávamos mais da companhia do Rehder... Choramos porque ele entrou em nossas vidas e tomou lugar em nossos corações... Choramos porque em um mundo tão cruel, Rehder transmitia a graça de Cristo... Choramos porque não entendemos e não queremos aceitar tudo de mal que nos acontece... Choramos porque temos que juntar os nossos pedaços e continuar com as nossas vidas... Mas, ainda que chorando, sofrendo e perplexos, declaramos o governo de Deus sobre as nossas vidas, louvamos e O adoramos: “O Senhor o deu, o Senhor o tirou, bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21).

Jones Louback, 12/Nov/2009